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Webinário MIDAS: Pesquisa da Rede MIDAS Latino-Americana

25 de junho de 2021
on-line

DETALHES DO ÚLTIMO EVENTO:

DATAS:
25 de junho de 2021
LOCAL:
on-line
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DESCRIÇÃO

A Série de Webinários do MIDAS apresenta as pesquisas dos membros do MIDAS e é aberta ao público. 

Data/hora: sexta-feira, 25 de junho 12:00 – 13:00, EDT

Tema geral:  Pesquisa da Rede MIDAS Latino-Americana

Palestrantes:

  • Daniel Villela, cientista pesquisador, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ)
  • Pamela Martinez, professora assistente, Universidade de Illinois em Urbana-Champaign

 

Palestra n.º 1 (Villela): Desafios nos modelos matemáticos para avaliar a epidemiologia de malária na Amazônia brasileira

Resumo: Após décadas de pesquisa sobre a malária, incluindo modelos matemáticos pioneiros para capturar sua dinâmica, a doença continua afetando centenas de milhões de pessoas no mundo inteiro. Na bacia amazônica brasileira, os esforços para controlar a transmissão dos principais patógenos da malária (o Plasmodium vivax e o Plasmodium falciparum) permitiram grandes melhorias ao longo dos anos, mas também houve retrocessos recentes.   De fato, a partir de 2015, a transmissão do Plasmodium vivax na região aumentou, apesar de uma tendência decrescente em anos anteriores. Há tratamentos estabelecidos para cada um dos patógenos P. falciparum e P. vivax, mas as dificuldades de detectar casos de baixa parasitemia, infecções por possíveis cepas resistentes e a impossibilidade de certos tratamentos em pessoas com deficiência, como o G6PD, estão entre os motivos que dificultam o controle da doença.

Para obter os perfis epidemiológicos da malária, analisamos um sistema de informações sobre a doença no Brasil que registraram mais de 5 milhões de casos. A incidência é bastante heterogênea em mais de 800 municípios da bacia amazônica, assim como a transmissão de patógenos da malária é alta em relativamente poucos municípios. Além disso, a possibilidade de uma emergência de resistência a medicamento poderia impedir os esforços para reduzir as incidências. Há um modelo compartimental construído em nosso grupo que ajuda a avaliar o surgimento de uma possível cepa resistente, apesar dos resultados de uma propagação mais lenta da resistência no caso do P. vivax. Por fim, sendo uma extensa região geográfica, os modelos devem abordar os muitos efeitos sazonais para capturar melhor a dinâmica da malária e fornecer informações para intervenções, que podem incluir o controle de vetores, mas também o tratamento medicamentoso contra a malária. Exibimos alguns resultados de pesquisas recentes junto com esses temas e discutimos o que esperar e os desafios na modelagem de sua transmissão e possíveis intervenções.

Bio: Daniel Villela é cientista pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, no Brasil. Atualmente trabalha como Chefe de Departamento do Programa de Computação Científica (PROCC/FIOCRUZ) e é vice-presidente do Programa de Epidemiologia.   Daniel Villela tem doutorado pela Columbia University.   Seus interesses de pesquisa se concentram em epidemiologia matemática, modelagem matemática da dinâmica de populações de vetores de doenças e métodos aplicados na vigilância de doenças. Nos últimos anos, trabalhou na epidemiologia da malária, na dinâmica de transmissão de arbovírus (dengue, Chikungunya, Zika vírus), incluindo sazonalidade e efeitos climáticos, e em modelos para entender o impacto das infecções por SARS-CoV-2 nas populações.


Palestra n.º 2 (Martinez)
: O efeito do nível socioeconômico nos resultados da COVID-19 em Santiago, Chile

Resumo: A atual pandemia da doença coronavírus de 2019 (COVID-19) tem afetado densamente populações urbanas de maneira especialmente grave. Apresentarei uma caracterização detalhada dos padrões de incidência e mortalidade de doenças e sua relação com os estratos demográficos e socioeconômicos em Santiago, capital do Chile, que é uma cidade altamente segregada. Verificou-se que, entre todas as faixas etárias, há uma forte associação entre o nível socioeconômico com a mortalidade (medida tanto por mortes atribuídas diretamente à COVID-19 como por excesso de mortes) e a capacidade da saúde pública. Especificamente, mostrou-se que fatores comportamentais, como mobilidade humana, e fatores do sistema de saúde, como volumes de teste, atrasos de teste e taxas de positividade de teste, estão associados a resultados de doenças. Esses padrões robustos sugerem vários caminhos possivelmente interligados que podem explicar as diferenças no impacto e na mortalidade da doença observados: (i) nos municípios de nível socioeconômico mais baixo, a mobilidade humana não foi tão reduzida quanto nos municípios mais ricos; (ii) os volumes de teste nesses locais foram insuficientes no início da pandemia, e as intervenções de saúde pública não foram eficazes por serem aplicadas tarde demais; (iii) a positividade dos testes e os atrasos nos testes foram muito maiores nos municípios menos ricos, indicando enfraquecimento da capacidade do sistema de saúde para conter a propagação da epidemia; e (iv) as taxas de mortalidade por infecção se mostram muito mais altas na extremidade inferior do espectro socioeconômico. Juntos, esses resultados destacam as consequências exacerbadas das desigualdades nos serviços de saúde em uma grande cidade do mundo em desenvolvimento e fornecem abordagens metodológicas práticas que servirão para caracterizar o impacto e a mortalidade da COVID-19 em outros centros urbanos segregados.

Biografia: Pamela Martinez é professora assistente de Microbiologia e Estatística na Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign. Antes disso, foi bolsista de pós-doutorado no Center for Communicable Disease Dynamics em Harvard e obteve seu doutorado em Ecologia e Evolução pela Universidade de Chicago. Além de sua pesquisa mais recente sobre SARS-CoV-2, está interessada em compreender como os fatores climáticos moldam a dinâmica populacional de doenças infecciosas e como a diversidade de patógenos interage e interfere nas intervenções de saúde pública.

TESTEMUNHOS

Nenhum testemunho disponível.

DOCUMENTOS DO ENCONTRO

Nenhum documento disponível.

VÍDEOS E FOTOS

Nenhuma foto disponível.
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